Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A cidade e o concelho, mergulham cada vez mais num isolamento rodoviário, no fecho de empresas, numa dependência de bens e serviços, que ficam instalados em outros concelhos.

Nem sequer há um centro de inspecção automóvel, que existe em quase todos os outros concelhos á volta, e os veículos pesados, têm que passar pelo meio da cidade, por falta duma variante, que descomprima o tráfego.

Não há um Posto de Turismo, não há uma ligação rápida (IC ou auto-estrada) para Chaves, e para Vila Pouca de Aguiar, não há um Pólo Universitário, não há uma simples Escola Profissional, não há um modesto parque de Merendas, não há um único Museu na cidade, não há um campo para a Feira!

Mas então, que tipo de cidade é esta?

A mais emblemática taça da cidade, junto aos Paços do Concelho está sempre apagada á noite, algumas das rotundas estão reduzidas a espaços sem nada, e cheias de erva, o acesso, durante a noite, desde a avenida dos Colmiais, ao cimo do Santuário de Nossa Senhora da Saúde, mergulha numa quase completa escuridão, convidando esta semi-escuridão, a esta zona ser frequentada, nocturnamente, por todo o tipo de marginalidade.

Para não destoar desta paisagem surrealista, até o 25 de Abril, deste ano de 2009, passou quase despercebido, e salvo uns foguetes e a passagem da banda de Musica a caminho do Jardim Público, no inicio da manhã, nada se viu mexer muito mais, a não ser um sempre louvável jantar convívio, com uma cidade de Valpaços quase esvaziada.

Duma ponta á outra do concelho, cada vez se ouve mais, que há necessidade de aparecerem, novas ideias e novas figuras, na vida politica e social valpacense.

Aliás, certas classes profissionais do País, melhor remuneradas, livres do desemprego e de ordenados e reformas de miséria, boas razões têm, para comemorar Abril, não obstante sermos hoje, um País, que já tem taxas de desemprego a caminho dos 9 ou 10 %, em que já existem 2 milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, em que a agricultura agoniza, os concelhos do interior se despovoam, e o pequeno comércio e a indústria, fecham portas, todos os dias.

O Jardim Público de Valpaços, é bem o espelho infelizmente decrépito desta dura realidade, onde raramente se vêem crianças a brincar, ou casais a passear, com os bancos de jardim “povoados” na sua grande maioria, por idosos, de rostos cansados e cheios de rugas, denotando o peso, dos muitos Invernos, que por eles passaram.

Não se pretende atribuir culpas a ninguém, pois julgamos, todas as entidades responsáveis do concelho, dedicadas e desejosas de progresso, mas apenas, deste modo, contribuir para chamar a atenção para algumas carências concelhias.

Um dos maiores escritores italianos contemporâneos, chamado Italo Calvino (1923-1985), no seu livro Palomar, no ultimo capitulo, intitulando-o insólita e claramente de forma metafórica “ Como aprender a estar morto” ensina uma “técnica” apurada, para se poder neutralizar o sentido crítico, e esquecermos tudo aquilo que nos rodeia, nos constrange e retira a vontade de reclamar, perante um mundo estranho e injusto.

Valpaços, vazio de gente nova, descrente do futuro, com uma população crescentemente envelhecida, indiferente à politica, parece ter aprendido, aparentemente, essa atitude de alheamento, ainda que se saiba, como diz a canção de Abril, que há sempre alguém que diz não.

E por haver sempre vozes livres, a expressar as suas opiniões, que me permito concluir, que o ultimo capitulo redutor, do livro do escritor Ítalo Calvino, como marca do fatalismo e dum deprimente conformismo, não vai fazer carreira, no concelho de Valpaços.

Novas madrugadas de esperança, uma seiva nova e os arautos firmes do progresso, acabarão por, indispensavelmente, chegar, afastando a amargura, o despovoamento e a solidão

 

Semanário Transmontano



publicado por AJREIS às 12:13
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