Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010

Não há somente factores de incapacidade interna, que provocam o despovoamento, mas também, paralelamente, existem políticas bem estruturadas, nos países estrangeiros de acolhimento, para aí fixar os nossos emigrantes, de forma definitiva.

Numa breve retrospectiva, a partir dos anos 60 do passado século, primeiro “a salto”, e depois de modo legal, grande parte da população em idade adulta, emigrou, sobretudo, para a Europa (França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, etc.)

Desta época heróica, da emigração clandestina, conhece-se em Valpaços, como em todo o Trás-os-Montes, dramáticas “ histórias de sofrimento e de custosas passagem de fronteiras “ que dariam livros de memórias fantásticos.

Alguns desses países tinham saído há poucos anos da 2ª Guerra Mundial e tinham ficado com pouca população jovem, provocado pela perda dos milhares de soldados, que morreram nas linhas de combate.

Em Portugal devido a uma política astutamente doseada, de colaboração com as 2 facções em confronto (Aliados e Alemanha nazi), Salazar evitou que os portugueses fossem atingidos pela guerra, embora à custa de grandes sacrifícios alimentares, e mesmo fome, segundo se diz, por parte da população mais pobre.

Daqui resultou que acabada a Guerra, enquanto Portugal, tinha muita gente nova, mas muita pobreza, a Europa Ocidental, renascia da Guerra através do plano Marshall, mas faltava-lhe a mão-de-obra jovem, que tinha morrido em combate.

Portanto a emigração surgiu, como um reequilibrar dos pratos da balança, aliviando a pressão de população excedente em Portugal, para a redistribuir, pelos países europeus, ricos, mas carentes de mão de obra, não qualificada, para os trabalhos de reconstrução nacional.

Como diz o ditado, juntou-se a fome á vontade de comer, e nada conseguiu travar a população portuguesa de procurar melhores condições de vida nos países ricos da Europa.

Primeiro emigrando os cabeças de casal, essencialmente homens dos meios rurais, que viviam primeiramente em condições extremas de subsistência, nos chamados " bidonvilles".

Gradualmente as condições de vida melhoraram e começaram a chamar as famílias, passando a viver em melhores habitações e melhorando o seu nível de vida.

Os filhos foram-se integrando e frequentando o Ensino na sociedade francesa, daí sucedendo uma identificação cada vez maior com os países de acolhimento, a que se acrescentou uma maior fusão de costumes e culturas, com casamentos entre a população portuguesa e a população desses países, sendo hoje a segunda e terceira geração de origem emigrante, como franceses de pleno direito.

Com mais raízes nesses países do que em Portugal, com melhores condições de acesso á saúde e a empregos, do que em Portugal, as novas gerações, esquecem cada vez mais os países de origem dos seus pais e adaptam-se e ganham raízes, nesse países ricos que os acolheram.

Como aí se fixam os filhos e os netos, os emigrantes da primeira geração, agora já avós, embora com saudades da sua terra natal e de Portugal, vão gradualmente optando por ficar nesses países de acolhimento, junto dos seus familiares mais novos, que ai residem, trabalham e estão integrados.

A deslocalização destas enormes quantidades de famílias portuguesas, para fora de Trás-os-Montes, muitas delas, de forma definitiva, são também uma das causas do despovoamento transmontano, uma vez que Portugal não lhe criou as condições de emprego e bem-estar semelhantes às condições de bem estar, que eles têm nos países estrangeiros.

Uma politica inteligente de integração dos emigrantes portugueses, nesses países europeus, proporcionando-lhe melhor Saúde, facilidades no acesso a habitação própria, mais segurança em empregos. Agora qualificados, origina, que Portugal e Trás-os-Montes em particular sejam vistos, como lugares despovoados, desertificados e sem futuro…

Já existe hoje uma tendência gradual, para os emigrantes venderem as suas casa em Portugal, e construírem habitação própria, nos países europeus onde trabalham, como se pode detectar, a titulo de exemplo no concelho de Valpaços, neste fim de ano de 2009, onde as placas de “ vende-se” são em grande número, daqui resultando uma grande crise, no sector imobiliário.

Daqui resulta, que se cava cada vez um major abisma, entre o Trás--os-Montes pobre e isolado e os países industrializados, num tremendo ciclo vicioso, que cada vez aprofunda mais essas diferenças.

Voltando sempre á raiz do problema, enquanto não se optar, (se ainda formos a tempo?) por fazer uma regionalização eficaz e criar uma região própria de Trás os Montes, que face aos seus fracos índices económicos, aqui concentre efectivamente uma grande parte dos fundos estruturais da União Europeia, e se crie riqueza e trabalho, jamais passaremos da cepa torta.

Oxalá os políticos, neste novo ano auspicioso de 2010, façam avanços frutuosos, nestes domínios, e se consolide um adequado projecto de regionalização.

 

 

 

José Mourão: semanário transmontano



publicado por AJREIS às 10:48

Vila Real: Irmãos de cinco meses e dois anos usados para a mendicidade Crianças eram usadas para mendigar, situação que foi descoberta pelas autoridades antes do Natal

Retirados há uma semana aos pais que os usavam para a prática da mendicidade, dois bebés de nacionalidade romena estavam a viver no Centro de Acolhimento Temporário (CAT) de Vilarandelo, Valpaços. E foi exactamente desse local que esta semana a menina de cinco meses e o irmão de dois anos foram roubados por um homem que dizia ser tio de ambos. O paradeiro das crianças é desconhecido, contudo o caso já foi denunciado ao tribunal que deverá acusar o CAT de negligência visto ter permitido que o homem ficasse a sós com as crianças.

 

A situação de maus tratos em que os bebés viviam foi descoberta poucos dias antes do Natal, quando duas magistradas do Tribunal de Vila Real, ao dirigirem-se para o local de trabalho, se depararam com as crianças a pedir dinheiro na rua com os pais. Bastante maltratados, os bebés permaneciam no local há já várias horas, sujeitos ao intenso frio e à forte chuva que naquele dia se fazia sentir. Mas não choravam.

A bebé de cinco meses estava deitada no chão gélido das escadas do tribunal. Abaladas com a imagem das crianças a serem usadas para a mendicidade, as magistradas decidiram denunciar o caso à PSP. Chamada também ao local, a Segurança Social tentou durante todo o dia encontrar um local para as crianças ficarem, mas sem sucesso. Só ao início da noite foram encontradas vagas para ambas no CAT de Vilarandelo.

Os bebés ficaram à guarda do centro que, até à data do desaparecimento, ainda não tinha autorizado qualquer visita por parte dos pais dos menores.

Esta semana, um homem, também de nacionalidade romena, entrou no centro e, alegando ser tio das crianças, pediu para as ver. As técnicas acederam e deixaram as crianças numa sala com o homem. Minutos depois e aproveitando um momento em que uma funcionária se ausentou, o indivíduo desapareceu do local com os bebés, para parte incerta.

O CM tentou contactar o CAT de Vilarandelo, mas, até ao fecho desta edição, tal não foi possível.

PORMENORES

VINTE CRIANÇAS

Em funcionamento desde o dia 1 Fevereiro de 2001, o Centro de Acolhimento Temporário de Vilarandelo tem capacidade para acolher vinte crianças em situação de risco.

MUITO AGITADO

No CAT, o homem que alegou ser tio das crianças mostrou-se bastante agitado e apenas pedia repetidamente para as ver. O homem insistiu ainda durante algum tempo até que a funcionárias acedeu a que entrasse.

RENDIMENTO MÍNIMO ATRIBUÍDO À FAMÍLIA

Apesar de viverem da mendicidade, os pais dos dois bebés recebem o rendimento mínimo, que todos os meses lhes é entregue pela Segurança Social de Vila Real.

Os dois romenos são vistos com frequência naquela cidade, contudo, quando questionados pela PSP sobre o local onde residiam, disseram ter uma casa em Espinho e chegaram a dar uma morada. No entanto, o paradeiro dos pais, tal como o dos bebés, é desconhecido. A polícia espera agora que a família volte à cidade para receber o subsídio mensal a que tem direito.

 

fonte: correio da manhã



publicado por AJREIS às 10:42
Noticias relacionadas com o concelho de Valpaços.
Visitantes
free counters
links
Janeiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
13
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


pesquisar neste blog
 
comentários recentes
Minha família e de origem italiana: CONSIDERA, e ...
Este grande senhor foi adorado por uns e detestado...
`´E com imensa tristeza que vejo estas noticias,.....
Eu sou votante e simpatizante do PS, contudo quero...
Quero entender, mas não consigo...Só eu gostava t...
olha o meu vovo flores, sardinheiro, burrikeiro,, ...
Acho muito mal a postura da Sta Casa, uma vez que ...
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO