Domingo, 08 de Novembro de 2009

 

ALDEIA DE VALPAÇOS DE LUTO POR EMIGRANTE

Há 22 anos que Olímpio Carriço, de 45 anos, estava emigrado em Andorra, onde trabalhava na construção civil. Vivia lá com a mulher e o filho, Tiago, agora com 18 anos. Ontem, na pequena aldeia de Sá, em Valpaços, o ambiente era de pesar, e até ao início da noite familiares e amigos queriam acreditar que Olímpio, uma das vítimas mortais, tinha sobrevivido ao acidente.

'Ele guiava um camião que fornecia betão para grandes obras. Era amigo de todos na aldeia, uma excelente pessoa', disse ontem ao CM Abel Carriço, irmão de Olímpio, ainda atónito com a tragédia.

Ao final da tarde, a mãe de Olímpio, Maria Carriço, de 82 anos, ainda não sabia da morte do filho. Em casa da sogra do trabalhador o ambiente era semelhante. 'Ele vinha agora no Natal à terra. Estou muito aflita, ainda estou à espera da má notícia', desabafou ao CM Maria Rodrigues, 71 anos, mãe da mulher de Olímpio, Maria Cardoso, de 40.

A vítima mortal tem dois irmãos e duas irmãs, mas apenas um não está emigrado. Cerca de cem pessoas da aldeia de Sá trabalham em Andorra.

Doze horas preso em mil toneladas de betão e ferro

Seis mil portugueses trabalham na construção no Principado. Ontem estavam dezenas no viaduto que cedeu. Três morreram, seis ficaram feridos, um está desaparecido e um resistiu, soterrado, quase 12 horas

"Era um cenário terrível, com gente a correr por todo o lado, muitos feridos e pessoas em desespero." As palavras são de António da Silva presidente do Futebol Club Lusitanos, em Andorra, um dos primeiros portugueses da comunidade a chegar ao local onde um viaduto em construção, com mais de 20 metros de altura, cedeu arrastando dezenas de operários, na maioria portugueses, que ali trabalhavam.

"Alguns dos trabalhadores, em desespero, tentavam subir por cordas, outros agarravam-se aos ferros retorcidos", relata. A estrutura de ferro que servia de molde ao tabuleiro de betão que faz a ligação ao túnel de Dos Valires cedeu e provocou três mortos, sete feridos graves - estando um desaparecido - todos portugueses, segundo as autoridades do Principado de Andorra.

No local do acidente ouviam-se os gritos desesperados das vítimas. Uma delas tinha os membros inferiores soterrados sob mais de mil toneladas de betão e uma quantidade ainda maior de ferro. Durante horas o trabalhador pediu socorro. Já a noite caia e as temperaturas negativas se faziam sentir - o Principado de Andorra fica nos Pirinéus, a grande altitude - quando as equipas de socorro conseguiram chegar perto dele, entre o monumental emaranhado de ferro, acabando por resgatar perto das 24.00. Praticamente 12 horas soterrado.

Na altura do acidente - 12.00 em Andorra, menos uma em Lisboa - encontravam-se a trabalhar na obra cerca de 60 operários, a maioria dos quais portugueses. Uma das vítimas mortais é Olímpio Carriço, de 43 anos, natural de Sá, freguesia de Ervões, concelho de Valpaços. Em Andorra encontra-se quase toda a sua família, nomeadamente os cinco irmãos, um deles com ele também a trabalhar naquela obra. Ontem não se apresentou ao serviço. A família de nada sabia ao final da tarde de ontem. Em Valpaços, o primo Fernando Rodrigues disse ao DN que o primo "está em Andorra há mais de 20 anos".

É casado com uma mulher da mesma freguesia e tem um filho."Era uma pessoa alegre e dançava aqui. Estamos surpreendidos com isto e em estado de choque", diz Manuel Pinheiro que dirige o Grupo Fólclórico do Alto Minho dos Residentes em Andorra. No acidente faleceu também o encarregado da obra, com cerca de 50 anos. António Mateus era natural de S. Bento da Porta Aberta, no Gerês. Estava no tabuleiro da ponte em substituição de um outro trabalhador (galego) que tinha ido tomar o pequeno almoço. O DN não conseguiu apurar a identidade da terceira vítima.

Quanto aos feridos, seis foram de imediato transportados para o Hospital Nostra Senhora de Meritxell, em Andorra, tendo um sido transferido para o Hospital Vall d'Hebron, em Barcelona, devido à gravidade do seu estado de saúde. Segundo um porta-voz do Governo de Andorra, este trabalhador apresentaria "um traumatismo craniano e maxilofacial e um prognóstico grave" e foi operado de urgência.Para dar apoio aos familiares das vítimas foi criado um gabinete de crise, com psicólogos, no hospital de Andorra.

Ao DN, fonte oficial da Secretaria de Estado das Comunidades, assegurou que do acidente resultaram 11 vítimas, informação que coincide com a fornecida pelo Governo de Andorra. No entanto, as autoridades portuguesas chegaram a avançar existência de quatro mortos, o que não foi confirmado até ao fecho desta edição. As causas do acidente estão por apurar.

 

fonte: Diário de Noticias



publicado por AJREIS às 13:14
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